21:08,7 de fevereiro de 2016

Entenda por que se hidratar durante o exercício

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Por Tânia Rodrigues* 

Durante a atividade física, uma quantidade significativa de calor é gerada pelos processos de contração e relaxamento dos músculos em atividade. Essa elevada produção de calor é a principal razão fisiológica que nos leva a perder água e eletrólitos, o que aumenta as chances de uma desidratação imposta pela prática esportiva. 

Entenda como funciona a perda de calor durante o exercício

A taxa de calor produzida pelos músculos ativos pode chegar a até 100 vezes a produzida pelos músculos inativos. Se o organismo armazenasse esse calor em vez de dissipá-lo, a temperatura interna se elevaria à razão de 1° C a cada 5-8 minutos (durante exercícios moderados), resultando em hipertermia (superaquecimento) e colapso do corpo em 15 a 20 minutos.

Para que isso não ocorra, o organismo possui um sistema muito complexo que sinaliza o aumento na temperatura interna e consequentemente ativa os reflexos associados à perda de calor.

A dissipação do calor em excesso pode ocorrer por meio de quatro mecanismos:

Irradiação – os objetos emitem continuamente ondas térmicas por irradiação. Normalmente, nós emitimos nosso calor para o meio ambiente, porém, em dias quentes, esta troca torna-se inversa, impedindo-nos de eliminar calor por este mecanismo.

Condução – a perda de calor neste caso envolve a transferência direta de calor por meio de um líquido, sólido ou gás, de uma molécula para outra. Durante o exercício, o calor é dissipado por condução para roupas, calçados ou materiais em contato com o corpo.

Convecção – é a transferência de calor para fluidos que se deslocam por conta da diferença de densidade. Moléculas de ar aquecidas sobem pressionando a camada de ar mais fria para baixo, o que origina as correntes de convecção.

Evaporação – a evaporação constitui a principal defesa fisiológica contra o superaquecimento. Nos dias quentes, principalmente, a eficácia na perda de calor por condução, convecção e irradiação diminui. O calor é transferido continuamente para o meio ambiente, à medida que a água é vaporizada pelas vias respiratórias e pela pele. Este mecanismo é muito eficiente, pois para cada litro de água vaporizada são eliminados pelo organismo 580 kcal.

Como desidratamos?

A produção e a liberação de suor se iniciam quando a temperatura corporal central é superior a 37 º C.

O suor pode ser produzido em resposta a um estímulo nervoso, à elevação da temperatura do ar e/ou por conta de exercícios físicos, e é produzido em uma glândula sudorípara écrina.

Quando a glândula sudorípara é estimulada, as células secretam um fluido (secreção primária) similar ao plasma, ou seja, basicamente composto de água, altas concentrações de sódio e cloreto, e baixa concentração de potássio, mas sem as proteínas e ácidos graxos geralmente encontrados no plasma. Esse fluido surge nos espaços entre as células, que o recebem dos vasos sanguíneos da derme. O fluido se desloca da porção espiralada e sobe por meio do duto reto. O que acontece no duto reto depende da taxa ou do fluxo de produção de suor.

A alta produção de suor que acontece em virtude do exercício físico faz com que as células, na parte reta do duto, não tenham tempo hábil para reabsorver todo o sódio e o cloreto da secreção primária. Assim, grande parte do suor chega à superfície da pele e sua composição é quase a mesma da secreção primária.

Portanto, a partir da elevada produção de calor imposta pelo exercício físico, ocorre a perda de água, sódio, cloreto e potássio, o que provoca a necessidade de repor essas perdas. Dessa forma, o cumprimento adequado das necessidades hídricas durante o exercício é considerado fundamental para o rendimento físico e deve ser continuamente estimulado. 

* Tânia Rodrigues tem mais de 30 anos de experiência e já integrou a delegação brasileira em três Olimpíadas (Sidney, Atenas e Pequim), além das comissões técnicas do Sport Club Corinthians e do Clube de Atletismo da BM&F Bovespa.

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